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Orkut - comunidade "Cineclube Natal"


O Conflito de Gerações na tela do Cine Assembléia
Qua, 29 de Outubro de 2008 17:33
O Cineclube Natal, em parceria com a Assembléia Legislativa, dentro do projeto Cine Assembléia, apresentará nesta quinta-feira, 30 de outubro de 2008, o aclamado filme Pai Patrão (1977), dos irmãos Taviani. A sessão começará às seis horas em ponto no auditório da Assembléia e a entrada é franca, com direito a pipoca grátis.

Sendo o primeiro filme até hoje a ganhar os dois prêmios máximos do Festival de Cannes (a Palma de Ouro de Melhor Filme e o Prêmio da Federação Internacional de Críticos), Pai Patrão é um grande filme italiano. Talvez o trabalho mais conhecido dos irmãos Taviani, diretores dos memoráveis "Bom, Dia Babilônia" e "A Noite de São Lourenço". Este contundente drama mostra a trajetória de Gavino, um menino que é obrigado pelo pai, interpretado por Omero Antonutti, a abandonar os estudos para trabalhar no campo, cuidando das ovelhas na Sardenha, sul da Itália. Todas as suas tentativas de mudar de vida são frustradas pela ignorância e pela violência do patriarca. Com o tempo, o jovem Gavino, interpretado por Fabrizio Forte, descobre sua única saída: estudar. Ter a arma que seu pai não possui: a cultura.

Os diretores irmãos Paolo (58 anos) e Vittorio (60 anos), retratam com brilhantismo a figura primitiva de estranhamento e opressão milenar: a do patriarca, senhor da Vida e da Morte no seio da família, instituição primordial da sociedade humana. No caso, o pai oprime o filho, buscando nele força de trabalho servil na atividade de pastoreio. Por isso, castra todas as possibilidades de desenvolvimento humano de Gavino. O estranhamento é imposto pelo próprio pai, assumindo caráter ancestral, quase-natural, ligado a formas tradicionais de opressão social. Os Irmãos Taviani expõem o conflito entre disposições ancestrais primitivas, quase da Natureza inculta, em plena época da modernidade do capital. É através da reapropiação da cultura que Gavino irá buscar uma saída para seu estranhamento primordial. O pai, como a Natureza, é superado, mas não eliminado, como sugere a cena final. Ele persiste como memória-hábito, no gesto da vigília cadenciada no pasto.

Baseado na autobiografia do escritor Gavino Ledda, falado em dialeto sardo, interpretado por atores amadores e com fotografia de Mario Masini, Pai Patrão foi um dos filmes italianos mais destacados dos anos 70, revelando o grande talento dos irmãos Taviani. No elenco, destacam-se Saverio Marconi, Omero Antonutti, Marcella Michelangeli e Fabrizio Forte, entre outros.

Sessão Cine Assembléia

Quinta-feira, 30 de outubro

18 horas

Assembléia Legislativa
Praça 7 de Setembro, s/n, Cidade Alta
Fone: 3232-5761

Entrada gratuita

Classificação indicativa: 16 anos

 

[FICHA TÉCNICA: "PAI PATRÃO"]

Título original: Padre Padrone

País: Itália

Ano: 1977

Duração: 114 minutos

Cor: colorido

Idioma: italiano, sarda, latin

Gênero: drama

Estúdio: Cinema S.r.l, RAI, Cinema 5, Artificial Eye

Roteiro: Paolo Taviani, Vittorio Taviani, de um livro de Gavino Ledda

Direção: Paolo Taviani, Vittorio Taviani

Produção: Giuliani G. De Negri

Fotografia: Mario Masini

Música: Egisto Macchi
Direção de Arte: Gianni Sbarra

Figurino: Lina Nerli Taviani

Edição: Roberto Perpignani

Elenco: Omero Antonutti, Marcella Michelangeli, Fabrizio Forte, Saverio Marconi


Prêmios: Palma de Ouro e Prêmio da Federação Internacional de Críticos no Festival de Cannes; Indicado ao BAFTA de Melhor Ator Revelação (Saverio Marconi)

 
O cinema existencial de Valerio Zurlini na Sessão Vanguarda
Qui, 16 de Outubro de 2008 14:55
O cinema existencial de Valerio Zurlini na Sessão Vanguarda

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular, apresentará domingo, dia 19 de outubro, o filme A Primeira Noite de Tranquilidade, do diretor italiano Valerio Zurlini. A sessão do projeto Cine Vanguarda começará às usuais 17:00 horas e a entrada custa R$ 2,00 (dois reais).

Conhecido como "O Poeta da Melancolia", Zurlini teve uma carreira cinematográfica escassa, constituída por apenas oito filmes, mas o suficiente para mostrar extrema qualidade, como em A Primeira Noite de Tranqüilidade, filme tido como sua obra-prima e que tornou-se um marco na prolífica carreira de Alain Delon, cuja atuação como o personagem Daniele Dominici lhe rendeu elogios da crítica à época do lançamento da película.

O filme se passa na cidade italiana de Rimini, no início dos anos 70. Daniele Dominici é um angustiado professor de literatura que se envolve afetivamente com uma de suas alunas, numa tentativa de preencher o vazio existencial de sua vida. Zurlini apresenta neste filme ecos de um movimento influente naquela época: o existencialismo. Filósofos como Albert Camus e Sartre escreveram sobre homens que vivem sem rumo, nômades ateus que escondem seu passado e ignoram seu futuro. E essas características definem o
protagonista Dominici, um intelectual introvertido, cuja psique casa perfeitamente com o ideal do existencialismo – o passado de Dominici é apresentado em doses homeopáticas: ele é um estranho até mesmo em sua cidade natal, não possui vínculos religiosos ou falimilares e é apolítico: "Para mim, fascistas e socialistas são iguais. Só que os fascistas são mais cretinos", diz ele durante uma aula.

Entretanto, cabe a ressalva que Zurlini não faz de seus filmes melodramas, como outros diretores italianos do mesmo período. Ele é um mestre do rigor formal, das longas e graciosas tomadas de composição quase matemática. Seus enquadramentos são complexos e precisos, mas operados com tamanha graça que parecem espontâneos. Ele é um cineasta minimalista, de emoções contidas. A Primeira Noite de Tranqüilidade é um filme belo e sereno, que resgata as principais características da obra anterior do diretor (o amor impossível, a melancolia, a crítica sutil ao vazio da burguesia italiana já haviam aperecido no belo "A Moça com a Valise"), mas aplica a elas usa abordagem menos direta, mais poética e evocativa, mais oblíqua e controlada.

Diretor de técnica apurada e intelectualidade indiscutível, Zurlini foi, para o mundo do cinema, como um furacão; apareceu com obras que arrebataram toda uma geração de cinéfilos e seguiu seu caminho. Pena que sua carreira foi tão curta (o diretor morreu em 1982, aos 56 anos). O Cineclube Natal convida todos os amantes do cinema para conferir mais esse grande clássico.

Assista aqui a uma cena (em francês) de A Primeira Noite de Tranquilidade 

Sessão Cine Vanguarda |Domingo, 19 deoutubro |17 horas| R$ 2.00

TCP - Teatro de Cultura Popular "Chico Daniel"
Rua Jundiaí, 641, Tirol |Fone: 3232-5307

Classificação indicativa: 16 anos


[FICHA TÉCNICA: "A PRIMEIRA NOITE DE TRANQUILIDADE"]

Título original: La Prima Notte Di Quiete

País: Itália, França

Ano: 1972

Duração: 125 minutos

Cor: colorido

Idioma: italiano

Gênero: drama, romance

Estúdio: Valoria Films, Titatuns

Roteiro: Enrico Medioli, Valerio Zurlini

Direção: Valerio Zurlini

Fotografia: Dario Di Palma

Música: Mario Nascimbene

Direção de Arte:

Figurino: Luca Sabatelli

Edição: Mario Morra

Elenco: Alain Delon, Lea Massari, Giancarlo Giannini, Sonia Petrova, Salvo Randone, Renato Salvatori, Alida Valli

Sessão passada em fotos: "O Enigma de Kaspar Hauser " 

 

 

 

 

 
O Neo-realismo vivo de Rossellini no Cine Café
Qui, 09 de Outubro de 2008 19:50
Nesta sexta-feira, dia 10 de outubro, o Cineclube Natal em Parceria com o Nalva Melo Café Salão, apresentará o filme italiano Roma, Cidade Aberta (1945), do diretor Roberto Rosselinni, abrindo o mês dedicado às produções italianas, que seguirá com as exibições (no Cine Vanguarda e no Cine Assembléia nos dias 19 e 30 de outubro, respectivamente) de "A Primeira Noite de Tranquilidade", de Valério Zurlini e "Pai Patrão", dos irmãos Taviani.

Entre 1943 e 1944, Roma, sob ocupação nazista, é declarada "cidade aberta", para evitar bombardeios aéreos. Nas ruas, comunistas e católicos deixam suas diferenças de lado para combater os alemães e as tropas fascistas. Filmado logo após a libertação da itália, em locações reais e com atores amadores, Roma, Cidade Aberta tornou-se um dos marcos iniciais do neo-realismo italiano, que mostrou ao mundo que era possível se fazer cinema mesmo sob as condições mais precárias. O filme é considerado um dos maiores da história do cinema pela crítica mundial.

Se há uma concordância em apontar a tríade neo-realista Roberto Rossellini, Luchino Visconti e Vittorio De Sica, essa unanimidade não existe para determinar um filme como marco inicial do movimento. Foi, entretanto, com Roma, Cidade Aberta, apresentado em Cannes em 1946, que o neo-realismo italiano tomou proporções maiores. Outros cineastas prepararam, de fato, "o caminho", mas foi Roberto Rossellini que pôs nas telas uma Roma nua, miserável, sórdida. Os símbolos da Itália popular e da Itália corrompida pelo fascismo são mostrados pelas mãos de um cineasta que inicia uma nova fase, recém passado para o lado da Resistência.

Em Roma, Cidade Aberta, Rossellini tenta compreender e fazer compreender a situação da Itália àquela época. A personagem Pina, interpretada magistralmente por Anna Magnani, por exemplo, assume as feições trágicas da sociedade italiana que lutava por justiça e liberdade. Uma cena crucial envolvendo Pina ficaria marcada, eternamente, na história do cinema.

Roberto Rossellini é um dos diretores mais discutidos em razão de suas escolhas políticas, de sua vida privada e do cristianismo que está em muitas de suas obras. Em 1943, após um período aliado ao fascismo, se juntou à Resistência. O Padre Don Pietro, uma das figuras centrais de Roma, Cidade Aberta, explicita que naquela situação, pouco importava a religião, a classe social ou a ideologia política: os italianos deveriam se unir contra a ocupação. Don Pietro afirma, quando está sendo interrogado pelos nazistas, que é um padre católico, e acredita que quem combate pela justiça e a liberdade caminha nos passos do senhor, que são infinitos.

Mais tarde, o cineasta retomaria o tema da guerra, com mais dois filmes: "Paisá" (1946) e "Alemanha ano zero" (Germania anno zero, 1947). A "trilogia da guerra" é mais um testemunho das condições da Europa do pós-guerra e sua reconstrução, do que uma crítica ao regime fascista. É, porém, um testemunho necessário, que acaba sendo uma prova da luta do povo italiano em favor da liberdade mundial. Um grande clássico mundial, exibido num local charmoso e despojado. Estão esperando o quê? Todos os amantes da sétima arte estão convidados, especialmente aqueles interessados no cinema italiano.

Assista aqui a algumas cenas (com legendas em inglês) de Roma, Cidade Aberta :

Sessão Cine Café

Sexta, 10 de Outubro |20 horas

Nalva Melo Café Salão
Av. Duque de Caxias, 110, Ribeira
Fone: 3212-1655

R$ 2.00| Classificação indicativa: 16 anos

Exibir mapa ampliado

[FICHA TÉCNICA: "ROMA, CIDADE ABERTA"]

Título original: Roma, Città Aperta

País: Itália

Ano: 1945

Duração: 100 minutos

Cor: preto e branco

Idioma: italiano, inglês

Gênero: drama, guerra

Estúdio: Excelsa Film, Minerva Film Spa

Roteiro: Sergio Amidei, Federico Fellini, Roberto Rossellini, de uma estória de Sergio Amidei, Alberto Consiglio

Direção: Roberto Rossellini

Produção: Giuseppe Amato, Ferruccio De Martino, Rod E. Geiger, Roberto Rossellini

Fotografia: Ubaldo Arata

Música: Renzo Rossellini

Edição: Eraldo Da Roma

Elenco: Aldo Fabrizi, Anna Magnani, Marcello Pagliero, Vito Annicchiarico, Nando Bruno, Harry Feist

Prêmios: Grande Prêmio do Festival de Cannes; Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro

Sessão passada em fotos: "O Enigma de Kaspar Hauser" 

 
Coppola em grande forma
Qua, 24 de Setembro de 2008 17:28

Nesta quinta-feira, 25 de setembro, o Cineclube Natal, em parceria com a Assembléia Legislativa apresentará, dentro do projeto Cine Assembléia, o filme  A Conversação (1974), de um dos diretores mais importantes do cinema americano, Francis Ford Coppola. A sessão começa às 18:00 horas no auditório da Assembléia Legislativa, sendo que a entrada é gratuita (assim como a pipoca!).

Basta dizer que é o filme que Coppola realizou entre os dois "Poderoso Chefão" e "Apocalipse Now", mas A Conversação é muito mais do que o produto de uma boa fase de um gênio – na verdade, é uma obra-prima muito particular.

Acompanhamos o trabalho do detetive Harry Caul (Gene Hackman, num de seus melhores papéis), um especialista em grampos telefônicos e escutas clandestinas (o melhor, sublinham durante o filme), capaz de registrar uma conversa de duas pessoas em um barco no meio de um lago. Incumbido de gravar um aparente papo acsual de um casal que passeia por uma praça movimentada, Caul mobiliza sua equipe, que capta trechos aleatórios da tal conversação do título, que requer diferentes técnicas e aparelhos para ser decifrada.

Entretanto, após esse trabalho, Harry desconfia que as pessoas às quais grampeou podem estar correndo risco de vida, fato que o joga em uma crise de consciência e em confronto com fantasmas do passado.

Enquanto Caul trabalha, conhecemos um agente fora-da-lei sem vida pessoal, um detetive noir às claras, sem penumbra para disfarçar o amargo de uma existência vazia e sem sentido. Sem dúvida, o filme mais "europeu" de Coppola. Fique atento como a conversa gravada por Harry vai mudando à medida em que trechos vão se tornando claros, uma dupla homenagem de Coppola à importância da edição em um filme e ao seu editor de som e de imagem, Walter Murch, que foi indicado ao Oscar de melhor som.

A atuação de Hackman é um deleite à parte, compondo magistralmente um personagem sem personalidade, escorado na Igreja Católica e no jazz (aprendeu a tocar sax apenas para o filme) como fundações de sua vida. Harry é um homem solitário e hermético, com medo de revelar sua intimidade para quem quer que seja - mas que ganha a vida revelando os segredos alheios mais íntimos.

Certamente, A Conversação consiste num dos grandes filmes dos anos 70. As opções de Coppola – como os longos silêncios – a melancólica trilha, o roteiro preciso e as atuações intocáveis constroem esta obra inteligente, realista e intensa. E, provavelmente, graças ao tema da invasão de privacidade, o filme é mais atual hoje do que na época de seu lançamento. Se você se interessa por películas que representam bem o espírito da época em que foram feitos, sem perder, entretando, sua relevância, esta é uma boa pedida.

Assista aqui ao trailer (em inglês) de A Conversação

Sessão Cine Assembléia
Quinta-feira, 25 de setembro
18 horas
Assembléia Legislativa
Praça 7 de Setembro, s/n, Cidade Alta
Mapa 
Fone: 3232-5761
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 14 anos 
 

[FICHA TÉCNICA: "A CONVERSAÇÃO"]

Título original: The Conversation

País: Estados Unidos

Ano: 1974

Duração: 113 minutos

Cor: colorido

Idioma: inglês

Gênero: drama, suspense, crime, mistério,

Estúdio: American Zoetrope, Paramount Pictures

Roteiro: Francis Ford Coppola

Direção: Francis Ford Coppola

Produção: Francis Ford Coppola, Fred Roos, Mona Skager

Fotografia: Bill Butler

Música: David Shire

Cenário: Doug von Koss

Figurino: Aggie Guerard Rodgers

Edição: Richard Chew

Elenco: Gene Hackman, John Cazale, Allen Garfield, Cindy Williams, Frederic Forrest

Prêmios: Palma de Ouro e Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes; BAFTA de Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora; Indicado ao BAFTA de Melhor Roteiro, Melhor Direção e Melhor Ator (Gene Heackman); Indicado aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Som; Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme (Drama), Melhor Roteiro, Melhor Diretor e Melhor Ator (Gene Hackman)

Sessão passada em fotos: "O Enigma De Kaspar Hauser"

  

 
Tente decifrar 'O Enigma de Kaspar Hauser'
Qui, 11 de Setembro de 2008 17:36

Neste domingo, dia 14 de setembro, o Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular, apresentará a produlção alemã O Enigma de Kaspar Hauser, do diretor Werner Herzog. A sessão começará às 17:00 horas, pontualmente. O filme conta a triste saga de Kaspar Hauser, um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior. Quando ele é solto nas ruas sem motivo aparente, a sociedade se organiza para ajudar Kaspar, que sequer conseguia falar ou andar, mas este logo acaba se tornando uma atração popular.

O filme é baseado livremente numa história real. Herzog, um dos grandes nomes do cinema alemão, usou a história verídica de Kaspar Hauser, esse infeliz rapaz afastado da sociedade (supõe-se que tivesse origem nobre e que havia sido escondido por problemas de sucessão ou bastardia) e que tenta desajeitadamente compreende-la, para refletir sobre a incerteza de tudo diante dos golpes do destino e sobre a artificialidade do que chamamos de normalidade. Hauser enfrenta com perplexidade as convenções sociais, os dogmas religiosos, as certezas científicas, vendo tudo com olhos virgens e puros e, portanto, desabituados a enxergar como "normal" o que assim foi estabelecido. Daí surgem momentos geniais, como seu embate com o professor de lógica, com os clérigos, a discussão sobre a vida das maçãs, bem como o "circo de aberrações".

Herzog, que gosta de personagens que não se sentem à vontade no mundo e procuram mudá-lo, conduz o filme no limite entre o cômico e o trágico, muito ajudado pela peculiar interpretação de Bruno S., que não era ator profissional. Ele passou toda sua juventude em instituições para doentes mentais e foi visto por Herzog em um documentário. Fez apenas mais um filme, o belo "Stroszek", novamente com o diretor (que tinha uma infinita dificuldade para fazê-lo interpretar).

O filme também reflete sobre a influência da linguagem e do histórico cultural na percepção da realidade. Isto é, as coisas que aprendemos (gramática, lógica matemática, religião, conhecimentos históricos, comportamentos culturais e etc) afetam a nossa capacidade de compreender os fenômenos que nos circundam. Isto acontece pois, ao associarmos uma idéia a uma palavra ou a uma imagem, estamos limitando o significado da idéia em função de uma definição restrita. As idéias passam a expressar só o que as palavras e imagens conseguem expressar, e não sua abrangência original (antes de serem aprisionadas por palavras e imagens). É como se as idéias fossem coloridas, mas nós só conseguíssemos expressá-las em preto e branco, sacrificando sua integridade original.

O Enigma de Kaspar Hauser é tema de discussão na filosofia, ciências sociais e antropologia há muito tempo. Entre os tópicos decorrentes da análise do filme estão a prática social condicionada, o convívio social como construtor da identidade psicológica do homem, o conflito entre persona e sociedade, além de infinitos paralelos com correntes filosóficas de grandes pensadores. Estas interpretações não são necessariamente excludentes, sendo possível levar mais do que uma delas em consideração sem que apareçam contradições. Todos estão convidados para a sessão, especialmente aqueles que procuram uma discussão acerca de um tema nitidamente psicológico. Ainda para aqueles que gostam de filmes premiados, esta é uma ótima oportunidade de conferir o grande ganhador do Festival de Cannes 75. As entradas para a sessão custam R$ 2,00 (dois reais).


Sessão Cine Vanguarda
Domingo, 14 de setembro
17 horas
TCP - Teatro de Cultura Popular "Chico Daniel"
Rua Jundiaí, 641, Tirol
Mapa 
Fone: 3232-5307
R$ 2.00

Classificação indicativa: 12 anos 

 [FICHA TÉCNICA: "O ENIGMA DE KASPAR HAUSER"]

Título original: Jeder für sich und Gott gegen alle
País: Alemanha Ocidental
Ano: 1974
Duração: 110 minutos
Cor: colorido
Idioma: alemão
Gênero: drama, crime, biografia
Estúdio: Filmverlag der Autoren
Roteiro: Werner Herzog, Jakob Wassermann
Direção: Werner Herzog
Produção: Werner Herzog
Fotografia: Jörg Schmidt-Reitwein
Figurino: Ann Poppel, Gisela Storch
Edição: Beate Mainka-Jellinghaus
Elenco: Bruno S., Walter Ladengast, Brigitte Mira, Michael Kroecher, Hans Musaeus, Willy Semmelrogge, Florian Fricke

Prêmios: Grande Prêmio, 
Prêmio da Federação Internacional de Críticos e Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes no Festival de Cannes; Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes
 
 
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